Hoje, um irmão me mostrou um email de um trágico acidente entre uma moto e um caminhão flagrado por uma câmera, provavelmente de segurança. Não vou comentar o acidente. Para isto, existem os programas de televisão, sensacionalistas, que exploram a desgraça alheia em busca de audiência. Quero apenas expressar o meu sentimento de desespero interno ao ver tais imagens.
Depois de comentarmos o ocorrido, voltei à minha sala e comecei a refletir em tal situação. Fui tomado de um sentimento de nojo do ser humano. Inconseqüente, ignorante e egoísta. Insensível e descrente. Não vive aquilo que ora! Se eu que sou homem senti isto, imagino como Deus se sente.
Falei a este irmão que minha vontade era que Deus acabasse com o mundo naquele momento. Vou tentar explicar, nas próximas linhas, este sentimento.
Há um tempo atrás, depois de ver um acidente na estrada onde uma família inteira perdeu sua vida, comecei a pensar que a maioria dos acidentes, penso que em torno de 80 a 90 porcento poderiam e deveriam ser evitados. É óbvio que estes acidentes acontecem por imprudência de alguém. Conversando com meu pai que foi caminhoneiro desde que o conheço, ele confirmou minha teoria.
Mesmo que uma pessoa esteja completamente certa, ela, na maioria das vezes, por um mínimo esforço pode evitar que tal situação trágica aconteça.
No acidente da moto, o motoqueiro estava completamente errado. Mas não custava que o motorista do caminhão tentasse evitar ao máximo tal desastre, visto que, estava em situação privilegiada em relação à força dos veículos.
Senti que o ser humano, em suas pequenas coisas, em seu íntimo, só pensa em si mesmo. Não vive aquilo que ora!
Comentando ainda com este irmão, disse que certa vez, estava eu na boléia de um caminhão de um amigo, em uma pista simples, onde ele dirigia em velocidade normal e em situação regular. Um veículo de passeio que vinha de encontro, na mesma pista, saiu para ultrapassar alguns carros e caminhões que estavam à sua frente e me assustei pois achei que não iria dar tempo e o carro bateria em nós de frente. Meu amigo, em sua simplicidade, me disse: - Ele tem que se virar. Ele quem saiu para ultrapassar. – Deu tempo, graças a Deus.
Para minha surpressa, este meu irmão, disse que já presenciou situações parecidas. Estávamos ainda discutindo isso e impressionados com a inconseqüência do ser humano quando ele me perguntou: - Quando um carro cruza com você em uma pista, à noite, com luz alta, o que você faz? – Mais que depressa e sinceramente eu disse: - Retribuo a luz alta! – pois bem, não somos diferentes. Podemos causar um acidente grave com isso.
Meus irmãos, Jesus tem que ter muita, mas muita misericórdia de nossas vidas. No Pai Nosso (Mt 6, 9-13), ele nos ensina a pedir a Deus que nos perdoe assim como nós perdoamos a quem nos ofende ou nos deve (Mt 6, 12). Pedimos a Deus que nos perdoe, mas não somos capazes de perdoar uma luz alta no rosto, uma fechada no trânsito, enfim, não somo capazes de perdoar nada e pedimos e clamamos para que Deus nos faça a mesma coisa.
Vamos tentar viver seriamente o Evangelho. Vamos tentar, pelo menos tentar fazer o que Jesus quer que nós façamos, amando a Deus sobre tudo e nossos irmãos como a nós mesmos (Lc 10,27).
Proponho que façamos um pequeno exercício. Vamos tentar não fazer nada que prejudique o nosso irmão durante todo o nosso dia. Assim, no cair da noite, vamos tentar relembrar o que fizemos e tentar melhorar no outro dia. É difícil. Mas tudo posso em Cristo que me fortalece (Fp 4,13).
Misericórdia Senhor, misericórdia!
Fiquem na Paz de Jesus!